Não dá pra esconder que a eleição do presidente do Brasil passa por São Paulo que detém a maior população e o maior PIB do país. O candidato não tem necessariamente que ser paulista, mas a importância do estado em uma eleição é indiscutível.
Obviamente foi pensando nisso que Aécio Neves resolveu investir na candidatura Alckmin à prefeitura de São Paulo, mesmo tendo consciência de que, para o seu benefício, está estimulando um racha no partido e causando um enfraquecimento do PSDB na futura eleição presidencial. Serristas e Alckminstas, estes influenciados pelos Aecistas, se digladiam no partido pela eleição da capital paulista.
Se faz parte do embate político partidário toda essa disputa no estado, é impressionante como os dirigentes do partido (observe que nem falo mais em líderes) permitem toda espécie de movimentação de Aécio Neves. Discursos de Lula o estimulam na troca de partido e ele se cala sobre isto; Michel Temer, presidente do PMDB, declara ter feito convite à sua filiação, e Aécio vai ao seu encontro como se uma simples conversa fosse, como se todos do partido fossem trouxas, em um claro desrespeito à sigla e a companheiros do partido.
Uma hora ele flerta com o PMDB, ameaçando o próprio partido com a sua saída, em outra se une a um notório adversário da sigla, abraçando e usando Ciro Gomes como ameaça claramente contra Serra. Mas Ciro é mais que um inimigo de Serra – que, como disse Covas certa vez, senta em uma cadeira e põe o chapéu em outra -, Ciro é um notório crítico da sigla e da história do partido, história que o partido construiu e precisa defender como bandeira em suas futuras eleições, já que não soube fazer isso na eleição passada.
Afinal, a história do partido tem importância, ou este é um bando que faz política sem respeito à sigla a que pertence? Aécio tem todo o direito de opinar sobre quais os rumos do partido, mas passa dos limites minimamente aceitáveis quando usa o pescoço (do partido) na luta com o facão.
Mais absurdo é imaginar que há pouco tempo atrás o então presidente da sigla, Tasso Jereissati, declarou que poderia votar e apoiar Ciro Gomes à presidência. Está claro que o atual presidente Sergio Guerra tem que colocar um fim nesse conflito e definir de vez quem pode opinar sobre o quê e em qual região. O mais absurdo de tudo isso é que o acordo de Aécio em Minas Gerais é tema de discussão partidária, mas dentro do PT.
Aécio tem direito a pleitear sua candidatura à presidência, assim como Serra ou Arthur Virgílio, que afirmou com todas as letras que seu nome estará nas prévias. Aécio tem direito tanto quanto os outros, mas seu espaço de articulação deve se ater, por hora, nos limites partidários. Ao agir da forma como ele vem agindo, no lugar de articulação Aécio está chantageando o partido e o partido, por sua vez, está se deixando chantagear.
O PSDB carece de um líder. Falta ao partido uma voz que não permita esse nível de desprezo com os correligionários. Falta alguém que acabe com essa feirinha livre e não admita que a ameaça de alianças esdrúxulas com notórios adversários seja usada como achaque partidário. Que não permita que se tripudie com a história e com as conquistas do partido.
Falta ao partido alguém de comando, que não se intimide ou se acovarde com as chantagens de uns ou outros de índole indecisa. Do contrário é melhor que o partido se dissolva de vez e, como um bando apartado, cada um tome o rumo que melhor lhe convier.
Uma hora ele flerta com o PMDB, ameaçando o próprio partido com a sua saída, em outra se une a um notório adversário da sigla, abraçando e usando Ciro Gomes como ameaça claramente contra Serra. Mas Ciro é mais que um inimigo de Serra – que, como disse Covas certa vez, senta em uma cadeira e põe o chapéu em outra -, Ciro é um notório crítico da sigla e da história do partido, história que o partido construiu e precisa defender como bandeira em suas futuras eleições, já que não soube fazer isso na eleição passada.
Afinal, a história do partido tem importância, ou este é um bando que faz política sem respeito à sigla a que pertence? Aécio tem todo o direito de opinar sobre quais os rumos do partido, mas passa dos limites minimamente aceitáveis quando usa o pescoço (do partido) na luta com o facão.
Mais absurdo é imaginar que há pouco tempo atrás o então presidente da sigla, Tasso Jereissati, declarou que poderia votar e apoiar Ciro Gomes à presidência. Está claro que o atual presidente Sergio Guerra tem que colocar um fim nesse conflito e definir de vez quem pode opinar sobre o quê e em qual região. O mais absurdo de tudo isso é que o acordo de Aécio em Minas Gerais é tema de discussão partidária, mas dentro do PT.
Aécio tem direito a pleitear sua candidatura à presidência, assim como Serra ou Arthur Virgílio, que afirmou com todas as letras que seu nome estará nas prévias. Aécio tem direito tanto quanto os outros, mas seu espaço de articulação deve se ater, por hora, nos limites partidários. Ao agir da forma como ele vem agindo, no lugar de articulação Aécio está chantageando o partido e o partido, por sua vez, está se deixando chantagear.
O PSDB carece de um líder. Falta ao partido uma voz que não permita esse nível de desprezo com os correligionários. Falta alguém que acabe com essa feirinha livre e não admita que a ameaça de alianças esdrúxulas com notórios adversários seja usada como achaque partidário. Que não permita que se tripudie com a história e com as conquistas do partido.
Falta ao partido alguém de comando, que não se intimide ou se acovarde com as chantagens de uns ou outros de índole indecisa. Do contrário é melhor que o partido se dissolva de vez e, como um bando apartado, cada um tome o rumo que melhor lhe convier.
12 comentários:
Não foi por outra razão que Lula se assanhou em lançar Marta para a prefeitura. com o racha no PSDB, e o fim da aliança com do DEM, em São Paulo, o eleitorado pró PSDB/DEM ficará dividido entre Alckmin e Kassab. E aí fica bem melhor o caminho para a senhora tentar voltar.
Alô, Adriana.
Como economista e administradora pública você se saiu uma boa analista política.
Eu, que considerava o PSDB como a menos pior das agremiações políticas, hoje assisto entristecido essa encarniçada luta no seio do partido, quase que tirando-o da possibilidade de nos livrar da pústula atual, que transformou o que já era um mercado de peixe em um caldeirão de malfeitores.
E um recado para o Adelson: Nomear essa pessoa citada no comentário de 'senhora' vai transformá-lo no "rei do politicamente correto". Parabéns por sua coragem. O pior é que ele tem razão sobre as possibilidades... Penso seriamente em mudar de cidade. Depois de ver o resultado de duas administrações petistas, é o mínimo que posso fazer.
Tucano que é Tucano, não pode querer apoiar Kassab em detrimento de Alckmin. Quem o faz, são os verdadeiros traídores do partido.
Caros,
"Sei não".
Políticos, como sabemos, são "seres complexos".
Muitos deles, em termos intelectuais, não passam de rematados idiotas, verdadeiras toupeiras.
No entanto, quando se trata de 'espeterza' político-eleitoral, são sempre muito perspicazes (e vingativos).
Nas eleições de 2006 — se nos lembrarmos —, Aécio praticamente boicotou Geraldo Alckmin em Minas Gerais, não lhe prestando quase nada de apoio (basta procurar as matérias da imprensa, daquela época).
Muito menos que apoiá-lo, Aécio ainda fazia comentários dúbios, que davam a entende mais apoio ao apedeuta.
Alckmin — basta ver nas mesmas matérias —, ressentia-se dessa falta de apoio que somente na reta final da campanha terminou sendo "mais ou menos maquiado", mas já era tarde demais.
Ao logo de todo aquele certame, o que mais se ouvia de Aécio é que por maior que fosse seu apoio, ele "não transferia votos".
"O que será que pode ter acontecido a ambos" — para agora viverem o presente "caso de amor"?
...eu não sei se acredito tanto nesse atual "conto de fodas" — ooops!
Eu não sou Alckmista, não sou FHCzita, não sou Serrista... não sou tucano. Não 'pertenço' a nenhuma sigla nem sou conduzido por nenhuma 'liderança', mas como a maioria de nós — principalmente dos que admitem opinar (como aqui fazemos) — acredito que tenho "uma opinião a dar", que pode ser útil ao menos para produzir reflexões a respeito.
Em qualquer parte do mundo, fazer política também é uma coisa muito provinciana, que em regra nivela as pessoas muito mais para baixo do que para cima, porque ao final das contas, fazem-nas parecer no mínimo com fofoqueiras.
Alkmin briga por espaço do mesmo modo que Serra, Aécio e 'eles todos'. Quem não se lembra de que à epoca das eleições de 2002, dizia-se que Serra havia imposto sua candidatura e que FHC não o apoiava? Aliás, credita-se sua derrota naquelas eleições em parte à 'ausência' de FHC, em parte à resistência de Serra de enaltecê-lo, etc.
Na verdade, Serra procurava conquistar e assegurar seu 'espaço', tendo criado — ou 'criaram' em seu lugar e contra ele próprio —, naquela época a fatal dissidência com o então PFL. Basta consultar o passado para confirmar o porquê do então PFL (hoje Demo) ter abandonado os tucanos (na verdade Serra) e apoiado a quem...? Ciro Gomes! ...
Agora, vejo a maior parte das pessoas criticando gente que busca espaço e sobrevivência (do modo que há em toda a parte — vide Clinton & Obama, v.g.) e criando ou amplificando uma crise que termina proporcionando lucros a alguém (sabemos a quem).
Tenho críticas e restrições a Alckmin e a Serra, mas tenho absoluto veto ao Aécio — um petralha 'meio' enrustido, (ainda) não completamente assumido.
Como simples cidadãos, realmente nos cabe criticar — como aqui fazemos, mas de minha parte, sinceramente, quando vejo os (industriados) veículos de mídia 'venderem demais' certas crises e dissidências, faço como aquele sujeito da novela e digo: epa, epa, epa... !
Flávio, tucano que é tucano sabe que quem administra SP é o PSDB. Kassab cumpriu todo o acordo realizado, inclusive pelo próprio Alckmin, que queria engessar Serra na prefeitura. Só pesquisar o manifesto recente dos vereadores do partido na cidade para ver isso. Apenas um vereador do partido não assinou o manifesto.
O que ocorre é que o grupo do Alckmin quer mais poder, o Serra é f... rsrsrs, mas todos os indicados por Serra permanecem na administração da capital.
Nossa Adriana, como voce mesmo disse, o Serra governa o Estado e a Prefeitura, e quem quer mais poder é o Alckmin?
Acho que o PSDB deve um pouco mais de respeito a Alckmin, que foi o candidato do partido à Presidência.
Alckmin foi um dos principais cabos eleitorais de Serra na disputa pela prefeitura em 2004. Alckmin não recebeu o mesmo apoio de Serra na disputa pela Presidência.
Quanto a Aécio, também acho que o mesmo não se empenhou como deveria para pedir votos para Alckmin. Contudo, parece que Alckmin ficou satisfeito com o apoio recebido, pois, em sua primeira entrevista após as eleições, disse que tinha que agradecer, principalmente, duas pessoas dentro do partido, Tasso Jereissati e Aécio Neves.
Se Alckmin acha isso, quem sou eu para discordar.
Enfim, acho que todo o PSDB deve abraçar a candidatura de Alckmin, assim como ocorreu em 2004 com Serra.
Quanto a rachar os votos, no segundo turno tudo voltará como antes. Ou alguem acredita que a eleição pode ser decidida em primeiro turno, sob qualquer cenário?
Alô Magu
Seguinte, meu curso de Administração Pública na FGV no Rio foi só política. Claro que sempre gostei da política, até por conviver de perto, quando pequena. Apesar de sempre ter sido uma pessoa crítica, não era assim tão politizada, mas a função foi me moldando, ou lapidando, como preferir. Os dois anos q passei na GV serviram para ‘apimentar’ essa minha visão crítica. Tive uma turma absolutamente eclética, desde Brigadeiro e governador (como o já falecido Ottomar de Roraima), até ferrenhos petistas da turma da Benedita, uns até ficaram famosos nos escândalos da era Lula.
Abreu, é isso que vc disse.
Pra mim está tão evidente que Serra será o candidato do PSDB para a presidência. Senão vejamos, quando disputou o governo de SP, uma das suas exigências era a de ser uma chapa pura, ou seja, Goldman como seu vice. Pois, quando fosse para a campanha de 2010, deixaria o estado com um do seu partido. Não queria repetir com a prefeitura de SP, ganhando a eleição e entregando ao DEM, dois anos depois.
"... está estimulando um racha no partido e causando um enfraquecimento do PSDB na futura eleição presidencial."
Primeira vez no jornalismo que vejo alguém "causando" no futuro. É ruim heim!
Abraços Sr. Banana.
Ainda bem que o senhor Banana deu sua nota de sabedoria; assim, não preciso nem sequer levar a sério nenhum outro argumento. (hehe)
Alô, Adriana.
Nós acabamos lendo essas sandices, porque vários anônimos ainda escrevem coisa com coisa. Mas sempre haverá uma frutinha podre no cesto! É quase impossível entender o que escreve, mesmo levando em conta a minha restrição interpretativa. Ou ele escreve sob influxo alcoólico, ou é realmente um muar!!!
É crível que uma cavalgadura como essa tenha conseguido um 'diproma' superior? Quanto teria custado? Houve uma época em que se frequentava aulas só no fim de semana, em Pouso Alegre, MG, e se conseguia um. Como essa, ainda deve haver outras pelo país.
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