14 de set. de 2007

Competência/seriedade

Por Peter Wilm Rosenfeld

Há alguns dias, perguntei a um grande amigo as razões pelas quais o atual governo federal, já em seu quinto ano de mandato, não dedicava qualquer atenção à situação caótica de todos os setores de infra-estrutura do Brasil, tais como a saúde, o ensino, as estradas, os portos, as ferrovias e praticamente todos os demais.
Respondeu-me esse amigo que não haveria dinheiro para essas obras sendo essa a razão pela qual está insistindo em prorrogar a CPMF por mais um período, até que termine o mandato do atual Presidente.
Estou certo de que cada voto a favor da prorrogação custará uns tantos mensalões... E me veio à mente o que aconteceu no RGSul quando da eleição da atual Governadora e se faz necessária uma comparação entre o que ocorreu em final de 2006 e o que está ocorrendo agora, em matéria idêntica à da CPMF.
Um dos anteriores governadores do Estado havia conseguido que fosse aprovado um aumento da alíquota de ICMS por prazo fixo (que vencia em 12/2006), com vistas a melhorar a situação financeira do Estado (o RS é o Estado em pior situação financeira, com uma dívida total de R$ 33 bilhões !!).
Não preciso lembrar que: o Governo do Estado só tem duas opções visando a tornar o Estado governável: cortar fortemente seus gastos, inclusive zerando novas contratações, reduzindo ao mínimo aceitável os aumentos das remunerações; não executando obras que deveriam ser realizadas.
A prorrogação não foi autorizada pela Assembléia Legislativa, naturalmente com os votos de todos os partidos oposicionistas (a Governadora é do PSDB; os partidos de esquerda, sem exceção, são oposição).
No caso da CPMF, apesar de o Governo Federal vir tendo superávits primários razoáveis, aumentando suas reservas cambiais (que estão entre Us$ 170 e Us$ 180 bilhões), ao mesmo tempo zerando sua dívida externa, de ter contratado milhares de funcionários CCs. e similares, sem concurso, alega não poder abrir mão da receita de R$ 36 bilhões que a CPMF representa. Ah, e mais: não pode abrir mão de míseros 1% a favor dos Estados.
(Esclareço que não sou filiado a qualquer partido, exceto ao partido que procura harmonizar o bom senso com justiça – será que existe?)
Até o presente momento não fiz qualquer referência ao título acima: COMPETÊNCIA/SERIEDADE.
Para começar, vale dizer que comunguei do pensamento do recém nomeado Ministro da Sealopra, Mangabeira Unger, quando em termos vigorosos alinhou mais de uma dúzia de razões pelas quais acusava o Sr. da Silva dos mais ignóbeis atos praticados em seu mandato.
Adicionalmente, permito-me questionar se é justo e correto fazer-se uma série de exigências em um concurso público para admissão de garis, entre eles o de possuírem cursos completos de, se não me falha a memória, o básico, ao tempo em que, para concorrer à Presidência da República, não há qualquer exigência.
Mais: é justo e correto nomearem-se dezenas de milhares de pessoas como CCs., exclusivamente com salários elevados, deixando de nomear pessoas aprovadas em concursos públicos, aguardando nomeação ?
Ainda agora, há poucos dias, certamente em troca de algum favor, o Presidente da Silva nomeou exatamente algumas dezenas de CCs., certamente em regime de escambo com a prestação de algum favor por parte das pessoas que serão os chefes desses CCs.
Coloquem-se esses penetras voadores, ao mesmo tempo, nos gabinetes para os quais foram designados; certamente haverá á necessidade de construção de jiraus para acomodar esses pára-quedistas.
E, além de tudo, como esses CCs. são “assessores para assuntos variados”, provavelmente saibam tudo sobre nada ; perdão, saberão onde e quando seus salários serão depositados.
É incrível a desfaçatez de nossas autoridades; para não ser injusto, devo mencionar que essas “qualidades” (?) não são exclusivamente do Sr. da Silva. Vários de nossos Governadores Estaduais situam-se em níveis exatamente iguais, guardadas as proporções. E mais, milhares de Prefeitos também estão nessa situação, e querem piora-las, aumentando de forma totalmente irresponsável o número de vereadores, para os níveis mínimos que existiam até que o STE colocou um pouco de ordem na casa. Infelizmente, deixou uma enorme cratera, pois deveria ter reduzido as verbas destinadas às Câmaras proporcionalmente à redução de vereadores.
Para os que não sabem, temos ao todo pouco mais de 5.500 prefeituras municipais, dezenas delas com entre 2 e 5 mil habitantes; seus vereadores se reúnem uma vez por semana para discutir a situação do município e aprovar ou rejeitar propostas do Prefeito. Será que para isso são necessários 9 vereadores, ganhando um dos mais elevados salários-hora do País ?
Para finalizar, as grandes deficiências dos políticos brasileiros são (não necessariamente em ordem de importância):
- Falta de um mínimo de instrução formal;
- Falta quase total de vergonha na cara;
- Falta quase total de um mínimo de patriotismo;
- Crença total no enunciado de Gerson:”é preciso levar vantagem em tudo”

Um comentário:

Anônimo disse...

Acho que podemos considerar é a falta de competência e não a falta de dinheiro.

O motorista, que aprendeu a andar somente na carroceria de um caminhão de retirantes, não tem absolutamente nenhuma condição de pilotar uma ferrari!

O que acontece é que a figura nem consegue ligar a máquina que anda quase sozinha, empurrada por muitos palhaços preocupados em agradar o pseudo piloto...