11 de jan. de 2008

A Esquerda Brasileira

Quando Lenin tomou o poder na Rússia, transformando-a em União Soviética, foram por água abaixo as principais propostas dos bolcheviques. Criaram uma polícia secreta pior do que a Ockrana dos tempos do czar. A Theca promoveu expurgos, assassinatos, perseguições e terror em níveis muito superiores. A prometida liberdade de imprensa foi para o espaço, lá permanecendo por mais de 70 anos. A Assembléia Nacional Constituinte acabou dissolvida pelo próprio Lenin, assim como a terra que seria dividida pelos camponeses tornou-se propriedade do estado.
Por que se relembram episódios já pertencentes ao passado remoto, em terras distantes? Porque, guardadas as proporções, nada de novo acontece debaixo do sol, mesmo tendo-se sofisticado as agressões ao cidadão, seja russo, seja brasileiro.
Sem precisar criar uma polícia secreta, ao chegar ao poder o PT dividiu o País em dois: "eles" e "nós". Jamais se verificou ocupação tão ampla da máquina administrativa federal, bem como tão imensa discriminação de quem não pertence ao partido. Não há censura à imprensa, mas, fora as exceções de sempre, a mídia come como nunca pelas mãos do poder estatal.
Ajustaram-se os meios de comunicação à ladainha entoada pela equipe econômica em favor do modelo que privilegia os bancos e a atividade especulativa enquanto distribui esmola às massas. De vez em quando o Congresso reage, sucedâneo para uma Assembléia Constituinte, mas, como regra, mantém-se prisioneiro de benesses, favores, nomeações, mensalões, liberações de verbas e coisa parecida. Quanto à reforma agrária, foi para as profundezas, sepultada pelo chamado agronegócio.
Tudo, registre-se, sem necessidade da explícita violência oficial, porque esta, sem dúvida, ficou por conta dos excluídos cada vez mais numerosos.
Lembrando-se episódios
Foto - Nicola II (Czar)
Carlos Chagas

2 comentários:

Anônimo disse...

Nossos avós costumavam usar ditados populares para expressarem suas expectativas, ou para julgarem algum acontecimento. Um deles, e era um dos mais usados, dizia que cabeça que não pensa o corpo padece. Penso que cabe perfeitamente aos brasileiros. Por algum motivo o povo brasileiro, incluindo nele as nossas autoridades políticas,jurídicas,eclesiásticas, parece viver eternamente de ilusões. É como se tentássemos criar um novo Frankstein utilizando órgãos doentes na expectatíva de torná-lo um Brad Pitt ou um Gianequinni para usar coisa nossa.
Impressiona-me intelectuais - pelo menos com esse atributo se apresentam - embevecidos com a chegada ao poder de homens despreparados para a vida quanto mais para o desempenho de funções públicas. O aval que dão aos pobres como se a pobreza fosse virtude. Políticos que não seriam admitidos no segundo grau, talvez até no primeiro e com a prerrogativa de legislar, governar, administrar, etc. Um judiciário que é uma vergonha. Pendências jurídicas que atravessam anos e anos sem soluções. Presídios que tratam de humilhar, desmoralizar e levar seus presos a última instância da animalidade. Funcionários públicos que se apresentam como se fossem nobres da corte ignorando o papel que lhes cabe de servidores. O Estado que age com furor tributário e não devolve quase nada à população que o sustenta. Quem não tiver um carrinho para se deslocar, uma escola particular para educar razoavelmente seus filhos, plano de saúde, segurança particular e uma infinidade de custos adicionais por conta da ausência do Estado, este sim está definitivamente excluído.
E é exatamente esses mal preparados que pretendem socializar a nação? Podem ficar descansados. Não há nenhum perigo disso dar certo.

ma gu disse...

Alô, Giulio.

Infelizmente o anônimo ainda não percebeu que já deu certo. É a fórmula brasileira.
Com essa massa inculta, que não conhece e não quer conhecer História, quando desaparecerem os jornalistas de idade, que viveram a história, não se falará mais dessa experiência malograda que foi a revolução cumunista (não errei. Quem quiser, que entenda).