12 de jan. de 2008

O homem quer descansar

Onde quer que o presidente Lula se isole para descansar o corpo, esfriar a cabeça e rever o esquema para enfrentar os muitos desafios acumulados pela tática de empurrar para amanhã o que pode esperar, salta à evidência que a sarna das crises não pode esperar e reclama soluções urgentes.
Alguns indícios de sensatez regam as suas últimas decisões oficiais, certamente arrancadas do fundo da alma: para o recordista de viagens internacionais, além dos giros domésticos, o cancelamento do comparecimento ao Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça, entra na lista dos sacrifícios impostos pela barafunda política instalada desde a derrota imposta pelo Senado, com a derrubada da emenda constitucional que prorrogava a arrecadação da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira – CPMF ou imposto do cheque até 2011.
O corte inesperado da previsão dos R$ 40 bilhões anuais detonou o efeito cascata de pequenos, médios e grandes desafios, que reclamam tamponamento a curto prazo. E os seus complicadores acossam o governo para a negociação de saídas emergenciais com os embaraços do ano eleitoral e na base municipal, para prefeitos e vereadores.
É como tacada em partida de sinuca, com as bolas ricocheteando nas tabelas: o frágil estado de saúde do vice-presidente José de Alencar impôs ao presidente a cautela de permanecer no país. Mas o mineiro é um obsessivo das suas convicções econômicas e renovou a advertência em frase redonda: “Tudo isso que se faz são remendos. Um dos fatores importantes de estabilidade monetária é o equilíbrio orçamentário”.

Leia a matéria de Villas-Bôas Corrêa em A Voz da Serra online

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