24 de mar. de 2008

Ensinar a pescar

Por Ralph J. Hofmann

Deve-se impedir a pobreza para evitar a necessidade da caridade.
(Os degraus da caridade – Moshe Ben Maimonides, Século XII)

Interessante a frase acima. Hoje dizemos que há mais mérito em ensinar a pescar do que em dar o peixe. E é uma verdade universalmente aceita. Menos a nível governamental no Brasil.
O programa que gerou a Bolsa Família e que agora se visualiza estender para adolescentes é uma absoluta negação disto. A matriz cultural que se está implantando aqui é que o governo deve algo aos desvalidos, com o que não há como discutir. Agride-nos a idéia das pessoas passando fome, tendo seu desenvolvimento físico e mental comprometido pela falta de alimentos.
Mas o próprio Brasil já teve soluções adequadas para isto. O compromisso de manter as crianças na escola foi um. A construção de obras como açudes nordeste usando a mão de obra de retirantes da seca ocorreu durante décadas sempre que a seca recrudescia.
Não eram esmolas. Eram trocas.
Na Grande Depressão dos anos trinta Franklin Delano Roosevelt criou corpos de trabalhadores, contratava-os para trabalhar em grandes obras. Muitos vagabundos errantes passaram a ter um lar em acampamentos do projeto. Nestes lares onde tinham roupas limpas, comida saudável, trabalho e um salário, podendo mandá-lo para seus dependentes, estas pessoas recuperaram sua auto-estima ou se nunca a tinham tido antes encontraram sua auto-estima.
Isto está registrado nos cine-jornais da época e em entrevistas feitas com algumas dessas pessoas feitas até cinqüenta anos depois. Os depoimentos são unânimes. As memórias do processo de adquirir estatura e dignidade, mesmo em funções humildes as vezes em grandes obras como a barragem de Boulder no Colorado foram marcantes para estes indivíduos.
O Brasil está gastando fortunas apenas mantendo pessoas vivas, sem atentar sua necessidade de honra, dignidade e orgulho.
Por outro lado olhemos as pessoas no poder. Não tem, honra, nem dignidade nem orgulho.

3 comentários:

Anônimo disse...

Como ninguém pesca no deserto, eu acho que esse tipo de caridade do Bolsa Tudo, é um mero treinamento para no futuro; A população acostumada com esse tipo de ajuda aceitar de bom grado o sistema de "cotas", tal como foi no comunismo russo.
A máquina do estado está sendo "inchada" para isso,vide o aparelhamento montado que já forma um Politiburo petista.

ma gu disse...

Alô, Ralph.

Abordou bem o assunto. O único problema é que o apedeuta vê isso não como caridade. Ele o enxerga como troca. Eu lhe dou comida e você me dá o voto. Simples assim.
Já as virtudes que você citou no fim, não há a mínima possibilidade. Eles não aprenderam o significado delas, porque só se preocuparam com o que o Marreta citou: Os fins justificam os meios...

Anônimo disse...

Há uma frase de um presidente dos EUA durante uma enorme recessão, só não lembro de quem, que dizia: "mandem os desempregados fazerem um enorme buraco e depois tapá-lo. Pronto, estarão empregados".