10 de abr. de 2008

O governo abusou, agora está em dificuldades

Por Dora Kramer

O governo não chamou a Polícia Federal para entrar no caso do dossiê porque quis, mas porque não tinha outro jeito.
Precisava tomar alguma iniciativa depois que a tentativa de culpar a oposição fracassou e que a entrevista da ministra Dilma Rousseff a exibiu desqualificada para o manejo de situações politicamente delicadas.
Sem ter para onde ir, o Palácio do Planalto foi bater à porta da PF que no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio da Silva produziu bons dividendos políticos sob o comando de Márcio Thomaz Bastos, cuja condição de exímio criminalista livrou o governo de vários apertos.
Thomaz Bastos deixou o Ministério da Justiça, mas, se levou adiante seu plano de freqüentar Brasília quando necessário, não abandonou o posto de conselheiro palaciano para assuntos de natureza legal.
Está claro que a decisão de recorrer à PF não partiu nem do ministro da Justiça, Tarso Genro, nem da titular da Casa Civil. O primeiro até a semana passada considerava a hipótese uma perversão capaz de transformar o País em um Estado policial. E Dilma Rousseff, mesmo depois de a Folha de S. Paulo mostrar o fac-símile do dossiê tal como saiu de um dos computadores da Casa Civil, insistia em manter a investigação sob seu controle direto, no Instituto Nacional de Tecnologia da Informação.
No fim de semana alguma cabeça racional fez ver às excelências que socar a ponta da faca só renderia mais ferimentos. Não haveria mais hipótese de convencer as pessoas sobre a credibilidade do resultado da sindicância da Casa Civil.
Insistir na versão do espião tucano invasor de computadores petistas em busca de dossiê contra os companheiros de partido para amarrá-lo a um bumerangue e com isso complicar o governo era persistir na inverossimilhança total.
Inclusive porque não haveria como responder à seguinte questão: já que estava com a mão na massa, por que o agente tucano não aproveitou para surrupiar informações sobre os gastos do presidente Lula a fim de entregá-los à imprensa ou a alguém da oposição na CPI dos Cartões?
Na impossibilidade de criar uma versão verossímil sobre a autoria, optou-se pela única saída possível: pedir à PF que descubra quem entregou o documento à imprensa e defender a licitude da manipulação de dados do Estado para fazer política partidária.
Já fez isso uma vez. Em 2006 a PF investigou, não esclareceu o essencial e o País acreditou que o governo não tinha nada a ver com os petistas flagrados comprando dossiê para complicar a oposição. Se deu certo antes, pode dar de novo.

2 comentários:

Anônimo disse...

Com o poder na mão, mesmo de nove dedos, tudo dá certo para ele. É por isso que a sociedade civil tem que se mobilizar. Os rumos que o Luís Inácio (como o chama o Senador Mão Santa) quer nos impor estão muito perigosos. É hora de movimentação já.

Anônimo disse...

Mais desmoralização à Polícia Federal?