Por Chico Bruno
O ministro da Cultura, Gilberto Gil, durante o seminário O Novo Nordeste e o Brasil, realizado, nesta quinta-feira, 15, em Teresina (PI), criou mal estar ao afirmar que a “Bahia não está no Nordeste”.
Os participantes do evento, organizado pela Fundação Perseu Abramo, ligada ao Partido dos Trabalhadores, que contou, ainda, com as presenças do secretário da Presidência da República Luis Dulci e do governador do Piauí, Wellington Dias (PT) ficaram encafifados com a declaração de Gil.
O cantor, compositor e ministro argumentou que a Bahia é um estado "intermediário geograficamente com o Centro-Oeste e o Sudeste".
A petista Luzanira de Sousa, presidente da Secretária de Assistência Social no município de Picos, sul do Piauí, contestou o ministro e gritou: "O Piauí é o Piauí".
O ministro reagiu afirmando:
O ministro da Cultura, Gilberto Gil, durante o seminário O Novo Nordeste e o Brasil, realizado, nesta quinta-feira, 15, em Teresina (PI), criou mal estar ao afirmar que a “Bahia não está no Nordeste”.Os participantes do evento, organizado pela Fundação Perseu Abramo, ligada ao Partido dos Trabalhadores, que contou, ainda, com as presenças do secretário da Presidência da República Luis Dulci e do governador do Piauí, Wellington Dias (PT) ficaram encafifados com a declaração de Gil.
O cantor, compositor e ministro argumentou que a Bahia é um estado "intermediário geograficamente com o Centro-Oeste e o Sudeste".
A petista Luzanira de Sousa, presidente da Secretária de Assistência Social no município de Picos, sul do Piauí, contestou o ministro e gritou: "O Piauí é o Piauí".
O ministro reagiu afirmando:
- Não adianta fazer cara feia gritando que o Piauí é o Piauí. Não vou colocar a disputa entre o Piauí e a Bahia. Pelo amor de Deus, não façam isso, pediu.
Faltou ao ministro Gil ser mais didático.
Poderia, por exemplo, explicar que a primeira Divisão Regional Oficial do Brasil foi feita em 1942, durante no Estado Novo, pelo IBGE, criado seis anos antes, em 1936.Faltou ao ministro Gil ser mais didático.
O território nacional foi dividido pelo IBGE em cinco regiões:Norte, Nordeste, Leste, Sul e Centro-Oeste.
Está divisão regional foi deturpada com o surgimento da Sudene em 1959, quando foi feita uma divisão econômica do país com a inclusão dos estados da Bahia, Sergipe e uma parte (norte) de Minas Gerais na área de influência da Sudene.
Gil poderia ilustrar mais a platéia piauiense, se tivesse de maneira didática informado que a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) foi criada como uma forma de intervenção da União no Nordeste. O objetivo da Sudene era promover e coordenar o desenvolvimento da região, por isso sua instituição envolveu, antes de tudo, a definição do espaço que seria compreendido como Nordeste e passaria a ser objeto da ação governamental.
É aí que surge o Nordeste como é hoje, com os estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, que remonta de uma divisão regional proposta em 1969 e consolidada em 1970 pela ditadura militar, que sumiu com a região Leste, substituída pela região Sudeste, formada pelos estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Guanabara e São Paulo.
Vale lembrar que o estado da Guanabara não existe mais com a fusão ao estado do Rio de Janeiro.
Este Nordeste que existe hoje não é geográfico, é econômico e engloba hoje, desde a recriação da Sudene pelo presidente Lula, as regiões norte do Espírito Santo e do Rio de Janeiro.
Geograficamente, o ministro está correto, a Bahia não fica no Nordeste, fica no Leste brasileiro.
O debate travado por Gil e a petista piauiense é o retrato da falta de memória do país.
Para não forçar muito a memória, vasculhei a internet a cata de precisão histórica. Infelizmente tive que me valer apenas de uma regressão aos tempos das aulas de Geografia do Brasil na década de 50 e as informações do CPDOC/FGV e do site Geografia Para Todos sobre o assunto.
4 comentários:
Alô, Adriana.
Que você acha? O Piauí é o Piauí. Deu para entender? Quem sabe eles lá pensam que o Piaui não está no Brasil. Mas como é sobejamente conhecido que eu sofro de restrição interpretativa, posso estar falando besteira...
Ou é a grandeza ou a decadência da brasilidade.
" Ário rejeitava a divindade do Verbo; os macedônios, a do Espírito Santo. Nestório negava a unidade da pessoa de Jesus Cristo. Entretanto, Eutischésio sustentava que Jesus tinha duas vontades, mas uma só natureza, e os monoteístas, que Ele tinha duas naturezas, mas uma só vontade. E todos disputavam acerca da luz que apareceu em volta de Jesus no Tabor: era criada ou incriada?"
( Montesquieu em Grandeza e Decadência dos Romanos).
GG com conversa fiada, vai filosofar com a poesia do cachorro correndo atraz do rabo.
Desde a extinção dos dinossauros até aos milhões de anos vindouros, a humanidade jamais vai se esquecer da afirmativa que certamente vai se enquadrar nas "Verdades que Abalaram o Mundo".
Se algum dia o Gil vier a Vitória vou convidá-lo para dar uma beiçada numa feijoada e podermos discutir melhor os movimentos das placas tectônicas que separaram os continentes e principalmente a Bahia.
Alô, Jacob.
(se não sabe, seu nome é a versão moderna de Jacob. O Ya'aqob bíblico vai para Iákobos em grego, Jacobus em latim, posteriormente modificado para Jacomus, onde se extrai James. Em espanhol, Jaime).
Preâmbulo comprido, não?
Nem sei mais o que ia falar. Deve ter sido a placa tectônica. Ou a mnemônica. Ou a feijoada. Ou pior, a caipirinha de antes...
Boa Magu, essa me pegou de surprêsa, não sabia que James e Jacó são os mesmos, mas pelo amordedeus não diga que sou brimo do Maluf!
Será por isso que gosto de judiar?
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