Entre as inúmeras deficiências de caráter do presidente Lula, uma vem tomando mais vulto a cada dia, trata-se da forma desleal e indigna como usa os “companheiros”. Serve-se deles para seu objetivos e depois os descarta como algo inútil. Foi isso que ele fez com a ministra do Meio Ambiente Marina Silva, mas por sorte da justiça e azar dele, a infâmia saiu-lhe ao contrario. Marina até então uma figura apagada entre as grandes “estrelas” ministeriais, discreta e correta, cresceu com sua saída do governo, fato que se tornou um ponto de críticas mordazes contra o governo, no Brasil e no exterior. (Giulio Sanmartini)O artigo abaixo, de Augusto Nunes faz ver de forma inteligente e clara, essa situação:
Depois da surpreendente punhalada que fere fundo, o afago que afoga dores, cauteriza feridas e sufoca revides. O presidente Lula recorreu de novo a essa fórmula, testada com freqüência crescente desde janeiro de 2003, para enfraquecer ainda mais a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, sem se expor ao risco de ver fora do governo uma figura mundialmente admirada como defensora da Amazônia.
"O companheiro Mangabeira vai ser o coordenador dos trabalhos", informou Lula ainda no meio do discurso que celebrou o lançamento do Plano Amazônia Sustentável. Era a punhalada: até aquele momento, a ministra acreditava que o posto lhe pertencia. "Mas ninguém tira de você, Marina, a idéia de ser a mãe do PAS", consolou o orador. Era o afago, sublinhado pelo sorriso confiante de quem está até cansado de tanto vencer.
Marina reagiu ao recado com o sorriso sem luz de quem enfim se cansara de perder. Compreendeu que, antes de ser promovida a mãe de sigla, perdera a guarda do filho para o ministro Mangabeira Unger, um sotaque à caça de idéias. Era o beijo da morte, constatou. Lula não percebeu que fora longe demais.
"Estou casado há 34 anos, e tenho uma relação política com Marina Silva há 30", diria com voz de espanto na terça-feira, cinco dias depois do desastrado improviso, um Lula atônito com a demissão da acreana franzina e valente que conheceu quando o PT nem nascera. A carta de despedida atesta que não há diferenças relevantes para a jovem discípula de Chico Mendes e a remetente. Quem mudou – e muito – foi o destinatário.
O Lula do século passado não dava um pio sobre questões ambientais sem consultar a companheira que nascera no meio da mata, começara a alfabetizar-se já adolescente, resistira a todas as doenças da selva, sobrevivera como empregada doméstica e chegara ao Senado com pouco mais de 30 anos. O novo Lula reduziu a estorvo o que já foi oráculo.
Marina talvez devesse ser menos teimosa, sugere um ligeiro balanço da gestão. Lula certamente não deveria ser tão flexível, sabem até as sucuris de quartel. O chefe do PT que ouvia Marina é o chefe de governo que ouve Blairo Maggi. A ministra ama a Amazônia, embora não saiba com clareza como defendê-la. O governador de Mato Grosso odeia a floresta, e sabe como destruí-la. "A crise dos alimentos só será resolvida com a derrubada de árvores", receita o terror das matas.
"Se deixar, ele planta soja até nos Andes", preveniu Carlos Minc horas depois de aceitar o convite para instalar-se no gabinete que Marina desocupou. Lula garante que Maggi, além de bom companheiro, é homem sensato. "Ele saberá conciliar o agronegócio com a preservação do ambiente", ilude-se. Abalado pelo contra-ataque, o presidente decolou rumo à estratosfera.
"A companheira Marina se foi, a política ambiental continua", viajou. Que política? A que entrega imensidões territoriais aos índios de Roraima ou a que mata de desnutrição as tribos de Rondônia? A que combate a devastação no Pará ou a que não enxerga nem ouve as motosserras de Mato Grosso?
E quem será o pai da sigla sem mãe? Carlos Minc, que desconhece a Amazônia? Ou Mangabeira Unger, que finge conhecê-la? Talvez seja melhor deixar o PAS na orfandade. Serão bem maiores as chances de não acabar perdido na floresta.
(*) Foto: Mariana e seus verdugos, Lula e Dilma
2 comentários:
AV: "Lula... caiu do cavalo". Lula depende (está viciado, está drogado, está tomado) pela sua intuição. Lula não estudou porque percebeu que com sua intuição se facilitava conduzir (engrupir, enrolar) meio mundo na massa de trabalhadores. E depois no meio mais intelectalizado (político, empresários) recebeu generosos "não liga os senões", "deixa por menos as confusões". E foi assim que Lula foi galgando patamares de reconhecimentos. A primeira vez que sua intuição falhou foi diante do deputado R. Jefferson quando ouviu um relato sobre o mensalão. O tal de "choro de Lula" resultou de um momento que se sentiu tonto, atônito, com medo relativo à sua intuição que não o alertara em tempo (que o seu esquema com Dirceu estava comentado). A segunda vez, e aí de balancear as certezas foi no PAN/vaias. Na atualidade a intuição do Lula só acerta pra valer a respeito da Dilma. Considerar que para o Lula a sua intuição está meia descalibrada, de não dar conta das racionalidades do cargo. Lula está no "mato sem cachorro" daí que "caiu do cavalo". E para o futuro o Lula vai se ver diante de situações "os burros n'água", "vaca vai pro brejo", "peixe fora d'água" e "porca torce o rabo". Lula com a intuição ultrapassada já está vivendo seu inferno "animal".
Alô Giulio.
Sem entrar na questão ideológica, e fazendo uma observação; logo depois da cassação do José Dirceu, assisti uma entrevista da Heloisa Helena, entre algumas respostas sobre o evento ela comentou que entres os inimigos políticos que tinha preferia o Zé, que dizia olho no olho que ia ter guerra. Ao contrário de Lula, que agia na covardia e apunhalava pelas costas, acabava de dar tapinha nas costas e afagos para em seguida jogar na vala.
O homem é mais falso que "pinguela de imbaúba", se fosse apóstolo teria dado o beijo antes de Judas.
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